Home / Economia / Governo teria enviado um relatório falso ao FMI sobre ss salários na Função Pública

Governo teria enviado um relatório falso ao FMI sobre ss salários na Função Pública

Um relatório recente do governo de Moçambique ao Fundo Monetário Internacional (FMI) reacendeu o debate sobre salários na função pública e o futuro do 13.º salário. Segundo informações que circulam inclusive divulgadas na rádio o documento apresentaria vencimentos médios de 43 mil meticais para o funcionário básico, 54 mil para o nível médio e 98 mil para licenciados. Esses valores têm sido usados para justificar a ideia de que o Estado paga “demais” e, por isso, prepara cortes e a eliminação do 13.º salário.

O que o FMI realmente recomendou e o governo confirmou em compromissos formais vai além desses números. Os relatórios e declarações oficiais mostram que:

  • A folha salarial do setor público chegou a 14,4% do PIB em 2024, quase metade da despesa total do Estado, um dos níveis mais altos da região.
  • O FMI pediu a redução dessa massa salarial para cerca de 11% do PIB até 2028, com congelamento de admissões, cortes em subsídios e eliminação progressiva do 13.º salário: pagamento zero em 2026, 25% em 2027 e 50% em 2028, caso as contas melhorem.
  • Em 2025, o governo já aplicou um corte visível: o 13.º salário foi pago apenas em 40%, em duas parcelas, contra 50% no ano anterior.

Essas medidas explicam por que muitos funcionários públicos desconfiam que o 13.º salário pode desaparecer e que os salários base fiquem congelados. Os valores de 43, 54 e 98 mil meticais citados na rádio não constam oficialmente nos relatórios do FMI, mas refletem a percepção popular de que as remunerações somadas a subsídios e suplementos estão acima da média nacional, o que alimenta a pressão por ajustes.

Para o cidadão comum, o impacto é direto: menos dinheiro em circulação no final do ano, dívidas que ficam por pagar e um clima de incerteza sobre o orçamento familiar. Para o governo, trata-se de tentar equilibrar as contas externas e manter o apoio do FMI, trocando benefícios imediatos por promessas de sustentabilidade fiscal.

O debate continua nas redes e nas rádios: de um lado, quem vê o corte como ataque ao trabalhador; de outro, quem defende que é necessário para evitar uma crise maior. O certo é que o 13.º salário, antes garantido, tornou-se moeda de negociação entre Maputo e o FMI e milhões de famílias esperam para ver como a história termina.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *